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domingo, 26 de maio de 2019

Desenvolvedores Gnome estão cansados dos deskmod

Um grupo de desenvolvedores Gnome acaba de divulgar uma carta aberta de repudio as alterações feitas em seus programas e que prejudicam o desenvolvimento do Gnome, confira nessa matéria.








Tentarei aqui mostrar como e onde nasceu esse problema, nada pessoal contra grupos, apenas tentarei mostrar a forma como vi as coisas acontecerem nos últimos anos e dando a minha opinião pessoal aos fatos e da forma mais verdadeira possível e claro mostrando quem na minha opinião são os unicoa culpados dessa situação.


Alterar programas


Fazer alterações em programas é a unica coisa que justifica o termo livre usado no GNU/Linux.

Mas para isso o código fonte do programa deve ser alterado, você o tomar como um fork, fazer suas alterações, gerar uma documentação completa, redistribuir o programa e principalmente dar suporte ao seu fork, não só para as alterações, mas ao programa inteiro e a todos os demais afetados por suas alterações.

Eu mesmo mantenho um fork do Remastersys (descontinuado) o Remaster GTK, mas todo o suporte dele fica por minha conta, eu não alterei só a capa dele e deixo o suporte por conta do seu desenvolvedor original, fiz alterações profundas nele e o seu desenvolvedor original não tem obrigação nenhuma de resolver os problemas que eu ocasionei ao software dele, esses problemas são meus e eu devo resolver.


Remasterização


É uma coincidência interessante o programa que eu garfei ter como uma de suas utilidades, a geradora do problema entre desenvolvedores Gnome e alguns deskmods.

Antes de falarmos de remasterizações devemos falar de distribuições, essas tecnicamente falando temos poucas e são as seguintes.


  • Arch
  • Debian
  • Fedora > Red Hat
  • Gentoo
  • openSUSE
  • Slackware


Nenhuma delas, absolutamente nenhuma delas faz alterações nos programas que distribuem, elas apenas fazem o seu papel de distribuir pacotes, gerar documentação e dar suporte.

OBS: Posso ter me esquecido de algumas, me perdoem.


Voltando as remasterizações, em setembro de 2000 nasceu a primeira remasterização do mundo GNU/Linux a Knoppix.





Uma remasterização é nada mais que um backup de um sistema operacional instalado no disco rígido.

Imagine o seu sistema GNU/Linux ai todo configurado, com temas que agradam você, papel de parede da hora e tudo mais que vc fez nesse sistema, inclusive as besteiras.

Ai você pega esse sistema compacta ele em uma imagem .squashfs, essa você coloca em uma .iso com uma ferramente de descompressão ( o instalado do sistema ) para descompactar ela no disco rígido, mas antes disso ela pode ser descompactada na memória ram o que é conhecido como o sistema live.





Aproveitando o sistema que a Knoppix desenvolveu de remasterizar o sistema, nasceram inúmeras remasterizações que hoje são popularmente e desonestamente chamadas de distro, desonestas pois induzem o usuário de que elas são uma distribuição de pacotes, quando de fato não o são, não passam de remasterizações.

No principio as remasterizações eram e foram muito uteis, o foco das pioneiras era o de criação de scripts para facilitar a vida dos usuários na configuração do hardware, configurar o vídeo e as placas de fax modem era um parto, a simples instalação de programas também não era nada amigável.

O Kurumin fez uma verdadeira revolução, tinha scripts que resolviam toda a parte de hardware e a jogada de mestre, os ícones mágicos para instalação de programas, a primeira central de programas voltada ao iniciante.




Note que tanto o knoppix como o Kurumin não alteravam o visual do ambiente gráfico, usavam o KDE vanilla, a preocupação era com a parte interna do sistema, facilitar o uso do mesmo e não com temas e wallpaper.




O inicio do problema


A verdade tem que ser dita, quem começou esse problema que hoje explode no desenvolvimento do Gnome foi a Canonical, o Ubuntu foi a primeira remasterização a se basear no deskmod.

Desde o seu inicio o grande apelo foi a aparência diferenciada, no caso tudo baseado em marrom e laranja.





Mais tarde criaram um plugin para o compositor Compiz rodando no Gnome e o chamaram de ambiente gráfico Unity.

Nesse estagio o deskmod estava em alta.




O Unity foi o pivô da gerra de bastidores entre Canonical e Gnome, primeiro uma briga de quem nasceu primeiro, o Unity ou o Shell 3, gerra perdida da Gnome foi o plugin Unity que nasceu primeiro.

Mas a Gnome não satisfeita foi conduzindo o Gnome a ser sempre incompatível aos deskmod da Canonical, com o lançamento do shell 3 totalmente incompatível ao Compiz a Canonical só teve uma saída, criar um fork do gnome-panel para continuar usando seu plugin no Gnome.

Nesse ponto o Ubuntu já não era mais uma remasterização, tinha evoluído muito e era de fato uma distribuição.

Mas a Gnome era implacável e não desistia, transformando o ambiente gráfico em um mutante foi tornando cada vez mais dificil a Canonical e a comunidade manterem o Unity, até que o fim chegou, mas a Canonical não desistiu do apelo deskmod e mesmo abraçando o shell 3 deu as suas pitadas de roxo e laranja e a introdução de mais um fork, dessa vez da extensão Dash to dock que lembra o painel do Unity.




Com esses exemplos do Ubuntu nasceu uma modalidade no GNU/Linux, as REFISEFUQUI ( remasterizações de final de semana em fundo de quintal ).

Ai temos:

Mint
Elemantary
Manjaro
kali
Big linux
Deepin
.
.
.


Uma lista sem fim de "distros" que na verdade são remasterizações com foco no deskmod e a reinvenção da roda com aplicativos já existentes mas de carinhas novas.

Essas começaram uma verdadeira guerra de deskmods e isso inevitavelmente acabou gerando temas de má qualidade, esses temas passaram a gerarem problemas sérios no Gnome.




Os desenvolvedores do Gnome passaram a receber report bugs constantes de problemas em seus pacotes, mas os problemas não são dos pacotes Gnome e sim dos temas de péssima qualidade usados nas remasterizações.

Traduzindo, você um funcionário esforçado e que cumpre suas tarefas, no final do dia o patrão te cobre de elogios, mas na calada da noite um terceiro faz uma trapalhadas que comprometem o seu trabalho de forma indireta, mas o patrão não vai ver assim e se você não arrumar ( adaptar o seu trabalho as merdas do outro ) ele vai arrancar seu couro ;)

Basicamente é isso que representa o desabafo de desenvolvedores ( funcionários ) da Gnome, o trabalho deles sendo comprometido por terceiros.




Finalizando


Se querem fazer fork façam, mas façam como os desenvolvedores do Mate fizeram, peguem todo o ambiente e assumam o suporte e correções, do contrario é sacanagem pura com o trabalho alheio.

O problema é real e sério e espero que os envolvidos aceitem o desabafo, criticas e conselhos desse grupo de desenvolvedores da Gnome.


Carta aberta no link abaixo.


Please don’t theme our apps





OBS: para não ser injusto, tirando Ubuntu e Mint nenhuma remasterização contribuiu em nada com o GNU/Linux, só servem para fragmentar e gerar uma legião de ignorantes em GNU/LInux.


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5 comentários:

  1. Concordo plenamente... Ótima publicação.

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  2. Melhor que isso só lendo duas vezes, ficou ótima a postagem.

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    Respostas
    1. VLW mermão, só falei a realidade por não ter rabo preso com ninguém como muitos por ai tem, ai ficam colocando panos quentes e desconversando a verdade.

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  3. Simplesmente post perfeito !! Fico excelente ! Você falou a verdade de forma bem clara, parabéns Lobo pelo excelente texto.

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